Quando descanso o corpo viajo para lugares intensos que me despertam e alimentam o acordar. Algumas das viagens são sensuais e intensas. Quase sempre inusitadas e... adultas. Bem-vindo aos draeme que vêm de dentro de mim... estes são X-Rated e sem cigarros no fim.
Atravesso um corredor comprido a passo calmo, o chão é alcatifa curta e densa, afundo os pés descalços enquanto ando, tenho a sensação de estar a deixar pegadas de veludo. Tenho na pele um pano macio, enrolado em mim, esvoaça ligeiramente no fundo das costas com o movimento do meu corpo. Está escuro, estou a caminhar para uma janela grande ao fundo, de cada lado grandes arcos plenos de sombra, estou a ir ao encontro de alguém. Ao fundo, na contra-luz, está uma figura masculina. À medida que me aproximo distingo-o nu, encostado a janela, virado de costas para mim. Já lhe sinto o cheiro e o calor. Abraço-o devagar, as minhas mãos nas costas, nos ombros, a afastar-lhe o cabelo da nuca. As minhas mãos descem-lhe as ancas e entram nas virilhas, arqueiam-se e acolhem o sexo, endurecido. Ficamos assim enlaçados, banhados pela lua. Sinto o sexo pulsar na palma das mãos, sincroniza-se com o meu pulsar agora. Fecho os olhos e sinto-o na boca do estomago, cristalino, ao ritmo de nós. Acordo banhada de lua.
Estou recostada num sofá macio, de tecido aveludado, nua. Sei que estou num quarto de hotel, cheio de tons pastel, com cheiro a limpeza por ali. Abrem-se as portas de entrada, grandes, de madeira, entram homens e mulheres, sei que os conheço, acho que estão ali para resolver um assunto com um amigo nosso. Entram vestidos, sentam-se à minha volta e começamos a falar. Resolvemos o assunto e deixamo-nos ficar, descontraidos, eles despem alguma roupa, elas também, ficam só com a roupa interior, a conversa corre sozinha, sem grande esforco, interessante e estimulante. Sinto-me quente e segura, estamos à vontade uns com os outros. Um deles passa a mão nas costas dela, ela volta-se e enlaça-o, lentamente, e correm as mãos a explorar-se um ao outro. A sensualidade espalha-se pela sala e todos se aproximam de contactos... uma mão toca-se aqui, um cotovelo roça além, pequenos aconchegos de abraços. A conversa mantém-se presente aqui e ali, uma opinião, uma sugestão, até se tornar apenas toques, respirares. Eu estou por ali, envolvida num abraço de carinho com ele, a acompanhar a química quesurge entre ela e ele. Ele solta-se comigo e agora já com ela também. Somos uma massa sintonizada com todos os outros. O pulsar sensual aumenta até o prazer se desprender de nós com vida própria. É tarde agora, entramos todos pela noite adentro, raia o dia lá fora. Ficamos aninhados uns nos outros, a descansar, a brincar com uma mecha de cabelo, com uma mão pousada num seio... Levanto-me na preguiça e saio para o terraço, desço as escadas de madeira ressequida e afundo os pés na areia quente. Avanço e entro na água morna, mimo os sentidos afundando-me. Quando volto para respirar já se vê o sol a nascer em silêncio alaranjado. Acordo quente, ligeiramente suada.